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O CUMBE

A comunidade do Cumbe localiza-se no município de Aracati, litoral leste do Ceará, no Nordeste do Brasil. É uma comunidade tradicional de ascendência negra/quilombola, formada por aproximadamente 150 famílias, na sua maioria, pescadores, artesãos e agricultores, que vivem às margens do Rio Jaguaribe. 


É na relação com o ecossistema manguezal e campos de dunas que a comunidade do Cumbe se diferencia das demais comunidades costeiras do Ceará. A cata do caranguejo e dos mariscos no mangue e a pesca artesanal de peixes no estuário do Rio Jaguaribe configuram-se como as principais fontes de renda e proporcionam os vínculos socioambientais com a biodiversidade local.


A comunidade também possui uma grande produção de frutas como coco e manga e de artesanatos de raízes e labirinto (tipo de bordado). 


Nas manifestações culturais destaca-se a festa do padroeiro Nosso Senhor do Bonfim, as quadrilhas e os Calungas do Cumbe e na culinária local os pratos típicos são a galinha caipira, a caranguejada, o pirão de peixe e a mariscada.

MEMÓRIA

A certificação feita pela Fundação Palmares tem como objetivo formalizar a existência das comunidades quilombolas espalhadas pelo país, assessorando-as juridicamente e desenvolvendo projetos, programas e políticas públicas de acesso à cidadania. Contudo, apenas o Incra pode intervir legalmente na comunidade, delimitando suas terras, autorizando desapropriações privadas e emitindo o título de propriedade coletiva para a comunidade. Após a certificação pela Fundação Palmares, a comunidade do Cumbe deu entrada no Incra no pedido para delimitação, demarcação e titulação de terras, porém esse processo ainda está em andamento.


Durante a instalação das usinas eólicas, em 2008, foram identificadas 71 ocorrências de interesse arqueológico, representadas por vestígios dos períodos pré-histórico e histórico, relacionados a ocupações de grupos marisqueiros-coletores-caçadores, como vestígios de atividades de consumo alimentar, tais como instrumentos de coleta, preparo, acondicionamento e consumo, além de restos alimentares, como conchas de bivalves (ostras) e gastrópodes.

CONFLITOS

A Comunidade do Cumbe é caracterizada pelos conflitos socioambientais desde o período colonial até os dias de hoje. Isso por apresentar uma riqueza de bens naturais e culturais que é cobiçada por diferentes grupos sociais. Esses conflitos foram causados pelo desenvolvimento econômico despreocupado com os princípios da equidade, da participação popular e da garantia do meio ambiente equilibrado. 
Dessa forma, as transformações na região do Cumbe não foram regidas pelos interesses dos moradores e sim por outras forças, que utilizaram e utilizam de forma extensiva os sistemas ambientais da comunidade tradicional. 


Com a invasão do território tradicional por atividades econômicas, a comunidade perdeu parte dos sistemas ambientais de subsistência e ancestralidade (principalmente nas dunas, nas lagoas e no manguezal) e outros espaços públicos de uso coletivo (setores de expansão da vila ocupados por carcinicultura e parques eólicos).

TURISMO COMUNITÁRIO

O turismo comunitário está presente em diversas localidades ao redor do mundo e compreende atividades que são desenvolvidas por grupos organizados em projetos coletivos de base familiar. Ele funciona como estratégia de apropriação do território e proporciona uma oportunidade para as famílias exercerem o controle efetivo sobre o seu desenvolvimento, sendo diretamente responsáveis pelas estruturas e serviços turísticos propostos.


O Cumbe, por seus aspectos culturais, naturais, arqueológicos e socioeconômicos, recebe muitos acadêmicos ao longo do ano, que desenvolvem pesquisas na área, podendo permanecer por vários dias na vila. Além disso, A Festa do Mangue, manifestação cultural que ocorre anualmente, convida as pessoas a conhecerem os costumes locais, participando das atividades tradicionais da região. Essa iniciativa é uma estratégia para promover uma maior visibilidade ao Cumbe e, assim, fortalecer a comunidade.


Ambas as movimentações trazem visitantes para a vila, que acabam por dinamizar a estrutura local mesmo que por um curto período de tempo. Pela sua incontestável beleza natural o Cumbe possui também um grande potencial para o desenvolvimento de ecoturismo, ainda pouco explorado. Todas essas questões apontam para a necessidade de uma maior organização da comunidade para receber esses visitantes, investindo em um turismo consciente que siga os preceitos do turismo comunitário e ecológico.